Relato de parto - parte 4
- camilacmc
- 10 de dez. de 2021
- 2 min de leitura
Antes um pouquinho de descermos do apartamento pra Sp, lembro que o Douglas estava arrumando as coisas para irmos e me bateu um desespero. Sentia as contrações, não conseguia mais relaxar, não sentia ela empurrar pra baixo e a dor continuava “meio torta”: só pensava - não vou conseguir, vou chegar no São Luiz direto pra cesárea, não dou conta de parir.
Chorei pra Carol, falei que tinha medo de ter chegado tão longe e não conseguir parir. Ela me trouxe pra realidade, disse que não tinha ainda como saber nada disso e que, se mesmo depois de todo esse processo eu precisasse de uma cesariana, ela seria o fim do caminho, a via de parto, não significaria derrota alguma. Fiquei um pouco mais conformada e descemos. A Puga toda preocupada em deixar a mãe ir pra Sp, ela tinha certeza do que estava ocorrendo.

Pega elevador, desce, contração, espera: respira. Alguém aperta minhas costas!
Pergunto: quanto tempo até SP? Pelo Waze 45 minutos. Eu fazia conta de quantas contrações eu precisaria vencer até chegar lá: eram por volta de 10 - acho que consigo.
Deixamos o banco do carona mais afastado pra eu poder descer um pouco no momento das contrações, mas o que me ajudou no processo foi a Carol apertando minhas costas, aliviava um pouco.
Marido a milhão na Bandeirantes, chegando em SP passando faróis fechados, reconheço o caminho: próximo ao hospital muita náusea, vomito novamente, sinto algo escorrendo pela perna, olho: sangue. Sangue é bom né? Imaginei que o colo estava terminando de apagar.
Estacionamos na frente do hospital, vejo uma pessoa com uma câmera na mão, um olhar cuidadoso, empatia: a Bia só me olha com um carinho imenso. Seguranças trazem uma cadeira, olho pras minhas pernas cheias de sangue.
Entro no hospital como paciente e é uma sensação muito estranha. Admissão, alguém me pergunta se já colhi o teste do covid. Contração, mais uma, alguém aperta minhas costas?
Gabi chega, olha com carinho e cuidado pro cardiotoco: tá ótimo viu Ca?
Prefiro não olhar pra não me influenciar.




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