
Sobre o Parto Humanizado
Preparativos para o nascimento
Uma nova proposta de atendimento obstétrico no Brasil.
A obstetrícia brasileira, principalmente na saúde privada, ainda é extremamente voltada ao médico e não como equipe multidisciplinar, além de ter um número alarmante de cesarianas muitas vezes desnecessárias, seguindo na contramão do panorama mundial.
O cuidado centrado no médico, além dos honorários pagos ao obstetra pelos planos de saúde, fez com que a obstetrícia fosse renegada às cesarianas agendadas para comodidade médica, sem valorizar a dupla mais importante da estória: o binômio mãe-bebê. Sabemos que a cesariana fora do trabalho de parto aumenta a mortalidade materna, aumenta sangramento uterino, risco de aderências pélvicas e abdominais, aumenta chance de internação em UTI neonatal e de desconforto respiratório, sendo indicada em casos selecionados. O trabalho de parto, independente da via final (vaginal ou cesariana intraparto), é importante para o amadurecimento pulmonar do bebê, auxilia na liberação dos hormônios necessários para a fase do pós-parto, aumenta o vínculo mãe-bebê, aumenta a chance de sucesso na amamentação entre outros benefícios.
Apesar disso, muitas mulheres têm medo do parto normal pelos antecedentes do país de algo endêmico e de difícil solução: a violência obstétrica. Maternidades lotadas, sem ou com pouca estrutura para partos normais, sem pré-parto, sem possibilidades de locomoção, sem medidas não farmacológicas de controle de dor, sem analgesia disponível, com plantonistas às vezes despreparados, tudo isso é um combustível para a escolha da cesariana sem indicação médica.
Então, diante da obstetrícia na saúde privada, a gestante se viu na obrigação de agendar sua cesariana sem informações dessa escolha, que sempre deve ser compartilhada nos seus riscos e benefícios. A escolha da cesariana atualmente, na maioria absoluta dos casos, é realizada pelo medo e pela falta de informação, já que numa pesquisa recente brasileira viu-se que no início do pré-natal 70 % das mulheres buscavam um parto normal e infelizmente 80 % delas tiveram uma cesariana (dados pesquisa Nascer no Brasil de 2015).
No entanto, há alguns anos no Brasil vem se desenhando um cenário diferente das cesarianas agendadas e dos partos normais cercados de violência obstétrica: a humanização do parto e do nascimento realizada por equipes multidisciplinares formadas por médicos obstetras, enfermeiros obstetras e obstetrizes, doulas, fisioterapeutas pélvicos, educadores físicos, consultoras em amamentação, psicólogos perinatais, todos voltados a mudar o paradigma do parto e do nascimento no Brasil.
A humanização veio para mostrar que a autonomia e o protagonismo femininos devem ser respeitados dentro da medicina baseada em evidências científicas. Quem trabalha nessa “nova” proposta brasileira (já arraigada em muitos países, principalmente na Europa) acredita na fisiologia do parto como evento natural, sendo realizadas intervenções somente quando necessário. Acredita que atender em equipe com profissionais afins (enfermeiro obstetra e obstetriz) agrega conhecimento e aumenta a satisfação das mulheres pelo próprio parto. Além disso, trabalhar com evidências científicas aumenta a segurança do binômio mãe-bebê, os protagonistas dessa história de amor e sucesso.
O atendimento humanizado deixa a relação entre a equipe multidisciplinar e o casal horizontal, trazendo a família a decidir junto o melhor desfecho para o caso. Respeita-se muito o conceito da autonomia, levando em consideração escolhas pessoais, familiares, culturais e até religiosas. Tudo isso é levado em conta para chegarmos ao melhor cenário possível. Além disso, sabemos que o pré-natal não é só físico, abrindo espaço para conversas com profissionais diferentes e escutando demandas e medos, já que o parto começa a se desenrolar no cérebro. Ter uma equipe alinhada e competente acreditando na grande possibilidade da mulher em parir de forma saudável e com segurança é fator primordial.
A paciente é vista como um todo e de forma personalizada, conhecendo suas dúvidas e anseios, avaliando riscos e estando disponível para as intercorrências possíveis durante a gravidez. A informação compartilhada é primordial, orientando sobre a gestação em si, os prováveis sintomas e sinais comuns, fases do trabalho de parto e parto. Além disso, é oferecido atendimento conjunto com enfermeira obstétrica / obstetriz em domicilio ou em consultório, além de atendimento pré-hospitalar evitando intervenções desnecessárias.
Acreditamos que a gestação e o nascimento são eventos únicos para cada família e, por isso, devem ser tratados com todo o carinho e profissionalismo possíveis.
